A Beterraba está conquistando o seu espaço na perfumaria

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Nomear fragrâncias com cores é uma estratégia bastante conhecida da perfumaria.

Há milhares de “blacks”, “golds” e centenas de tons entre eles usados ​​como nomes duvidosos para tentar comunicar o efeito que uma fragrância pode ter em seu usuário.

Mas, às vezes, essa estratégia é mais do que um truque de marketing fácil. Eventualmente aparecem fragrâncias inovadoras com nomes de cores, como no caso do novo Comme des Garçons Rouge.

Imagem: Divulgação/Comme des Garçons

A Comme des Garçons (CdG) fez um ótimo trabalho com sua eua de parfum Rouge que conta com um frasco de 100ml que se assemelha a uma garrafa.

Por um lado, eles já visitaram esta cor antes. Sua linha Red de 2001 ainda é considerada uma de suas melhores realizações, com muitos lamentando a descontinuação de alguns dos aromas da linha.

Em 1995, eles criaram a combinação de canela + lírio no White. Em 2013 teve o lançamento de Black, com seu mix de pimenta, couro e alcaçuz.

No mesmo ano foi lançada sua série Blue, embora seu conceito cromático tenha sido menos convincente do que poderia ter sido, segundo alguns críticos da perfumaria mundial.

Mas Rouge nasce no melhor aspecto da marca. Uma maneira de criar um aroma “vermelho” confiável seria reunir o máximo de materiais possível que se encaixassem na descrição da cor.

Essa é certamente uma abordagem que produziu resultados formidáveis no passado, com o branco sobre branco de Amarantine do perfumista Bertrand Duchaufour para a casa de perfumaria britânica Penhaligon.

Mas não foi assim que Comme des Garçons abordou este projeto específico. No que diz respeito à sua estrutura, Rouge é um perfume de madeira resinosa, com forte incenso na base e com casca de pimenta e folhas de gerânio no topo e no coração.

Em outras palavras, não é um perfume especialmente vermelho. Mas percorrer esta obra-de-arte é uma experiência que proporciona uma das surpresas olfativas mais genuínas e agradáveis ​​do ano: a beterraba!

Com sua personalidade terrosa, enraizada, lamacenta, semidoce, amarga e descaradamente vermelha, ela sangra em todos os outros elementos da composição, manchando-os com o tipo de singularidade peculiar que só poderia ter vindo de Comme.

Sabe aquele cheirinho de terra molhada que te permite acessar suas memórias mais antigas e gostosas? Ele se chama petrichor e seu responsável é a geosmina, substância também presente na beterraba. Por isso também sentimos um aroma terroso nessa raiz.

Um dos componentes da beterraba é o 1-octen-3-onе, responsável pelo cheiro “metalizado” típico de metais e sangue. Essa substância permite uma combinação entre a geosmina e um aroma aquoso de peixes recém-pescados e cogumelos.

Além disso, se você é fã da raiz, sabe que a aquecer ou amassa-la dá origem a um aroma de caramelo doce, pois há muito açúcar nessa raiz.

E como se essas combinações não fossem o suficiente, a beterraba possui muitos aldeídos, como o epoxidecenal, um dos componentes do odor do sangue. Esse aroma auxilia os predadores a encontrarem suas presas.

Ora, só mesmo a Comme des Garçons para combinar sangue, terra, caramelo e peixe em uma só fragrância, não é mesmo?

Curiosamente, a marca tentou um ‘truque de raiz vegetal’ semelhante com o Clash Radish Vetiver de 2019, uma fragrância que teve o rabanete como protagonista.

E embora seja bem difícil superar essa ideia intrigante, o Rouge da Comme des Garçons consegue ser um trabalho totalmente puro, coerente e original do início ao fim.

O Rouge está custando cerca de 114 euros na Europa e ainda não há previsões para lançamento aqui no Brasil.

E aí, o que você achou do novo lançamento da Comme des Garçons? Não deixe de compartilhar esse artigo com os amigos(as) perfumólatras

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